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quinta-feira, 29 de outubro de 2009

A disseminação do ódio

“Vira e mexe” surge um cidadão dizendo que os ateus não respeitam aqueles que possuem religião. Existem pessoas que não respeitam outras em qualquer ambiente ou sociedade, independente de crença.

 

O debate

 

Dias atrás, o Caio Lausi falava para a Ju Sardinha que alguns amigos dele queriam rezar para um amigo com alguma doença, o chamaram, ele disse que não iria por ser ateu, e os amigos não gostaram (me corrija se estiver errado). Eu, intrometido que sou, entrei na discussão para falar o seguinte:

 

tweetsfbjr[1]

 

O exemplo

 

Era uma vez uma professorinha de primário, umbandista, que teve a idéia de ler o livro “Lendas de exu” para os alunos, com o intuito de ensiná-los um pouco da cultura brasileira. Assim como o aluno americano aprende sobre a cultura do seu país, as nossas crianças têm o direito de conhecer as histórias tipicamente brasileiras.

 

Mas essa não é a opinião da diretora do colégio em que a professora ensinava.

 

Por quê? A gloriosa diretora é evangélica. E a suposta indignação com os ensinamentos demoníacos não se resume a ela; algumas mães também vociferaram com as seguintes palavras, segundo a professora:

 

“Voltei, mas fui proibida até por mães de alunos, que são evangélicas, de dar aula sobre a África. Algumas disseram que estava usando a religião para fazer magia negra e comercializar os órgãos das crianças. Me acusaram de fazer apologia do diabo!”

Repare bem no “proibida de dar aula sobre a África”. Na boa, eu até conseguiria entender o temor das mães pelos seus rebentos se não fosse a imensa ignorância dessas criaturas; como se os antepassados de tais seres, que um dia habitaram o Brasil, fossem nobres dinamarqueses protestantes.

 

Leiam o texto do link para mais acontecimentos bizarros.

 

O respeito

 

Referia-me a esse tipo de gente nos meus tweets. Além da evidente falta de cérebro, egoísmo e preconceito - essa é a palavra chave - são evidenciados por esse tipo de comportamento. Neste caso, as evangélicas não têm o mínimo de consideração por outras religiões, e a repúdia dos ateus conscientes que conheço possuem como alvo criaturas dessa estirpe.

 

E tenho dito.

12 comentários:

Vinicius Cabral 29 de outubro de 2009 07:52  

Com relação à professora, o pior é que se ela NEGAR aulas de História da África, ela estará indo contra uma lei FEDERAL que OBRIGA a matéria a ser ensinada em sala de aula. Mas aí ela pode "jogar pro alto" a culpa e vai sobrar prá diretora...

Quanto às mães... patético, só tenho isso a dizer. Talvez os nobres protestantes dinamarqueses tenham algo mais crítico a dizer sobre isso... talvez até Lutero fique ao lado da professora... vai saber, né? O certo é que o bispo Macedo... esse concorda com as mães!

Fernando 29 de outubro de 2009 07:57  

Vinicius,

Exatamente. Lembrando que o livro é recomendado pelo Mec.

Juliana Sardinha 29 de outubro de 2009 08:18  

Eu tenho pena de pessoas preconceituosas #prontofalei

Fernando 29 de outubro de 2009 08:22  

Juliana,

Pessoas preconceituosas e egoístas. Segundo elas, a educação infantil pode ir para a puta que pariu.

Claudia Giane 29 de outubro de 2009 08:26  

Pior que esse preconceito vem de todos os lados. Eu, evangélica, várias vezes já tive que aturar piadas e até intolerânci por parte de ateus e de adeptos de outras religiões. E olha que eu nunca insisti que ninguém se convertesse a coisíssima alguma. Para a minha sorte, foram minoria mesmo. Intolerância é algo inadmissível (inclusive a religiosa).

Fernando 29 de outubro de 2009 08:29  

Claudia,

Exatamente. Cada um com a sua crença, ou falta de.

Anônimo,  29 de outubro de 2009 08:31  

Você está CERTÍSSIMO.

Sò uma contradição: você se referiu às lendas como "um pouco da cultura brasileira". Na verdade, é cultura africana trazida para o Brasil.
Mas não estou legitimando o que fizeram, não. Os africanos foram e são tão importantes quanto qualquer outro povo que veio para o Brasil e acho interessante que as crianças saibam que a experiência religiosa não é apenas aquela que seus pais (principalmente cristãos) lhe enfiaram na cabeça.
.
Aliás, não dá pra deiixar de fazer um paralelo com os traficantes cristãos que atacam terreiros no Rio de Janeiro... Lamentável...
.
Outra coisa: "Neste caso, as evangélicas não têm o mínimo de consideração por outras religiões".
Só nesse caso?!? Hehehe, antes fosse!!!
.
Abração, rapaz!
.
Johnny Nikolaídis
http://www.fotolog.com.br/johnnyfotos

Fernando 29 de outubro de 2009 08:47  

Johnny,

"Sò uma contradição: você se referiu às lendas como "um pouco da cultura brasileira". Na verdade, é cultura africana trazida para o Brasil."

Verdade. A questão é que a cultura africana está enraizada na cultura brasileira.

"Só nesse caso?!?"

Não é só neste caso, mas "este caso" é o exemplo. Vale lembrar que existem pessoas com sanidade em qualquer religião, vide a Claudia Giane.

Caio Lausi 29 de outubro de 2009 14:58  

Acontece o seguinte, pessoas religiosas não suportam que pessoas vivam tão bem (ou melhor) que elas, sem uma religião.

E porque?

Eu acredito que seja porque essas pessoas não são felizes, não se sentem felizes, se sentem reprimidas por estarem obrigadas a seguir uma determinada religião e limitadas em diversos atos que a religião os impõe.

Não me importo se a pessoa é evangélica, católica, espírita, qualquer coisa, se ela me respeita, respeitarei de igual forma. Liberdade religiosa, sempre. O Brasil é um Estado Laico, somos livres, assim, todos nós somos livres.

Adaptando um tweet que vi esses dias, "Liberdade religiosa é você ser livre para me falar sobre sua religião e tentar me convencer de que ela é boa, assim como eu, igualmente, posso mandar você às favas por isso".

Intolerância beira ao preconceito. Adoraria, puxando um pouco para a vingança, que dezenas de Ateus fizessem o mesmo com Evangélicos, o que será que aconteceria? Ah sim, crime né... coitadinhos dos religiosos.

Zé da Fiel 30 de outubro de 2009 04:17  

Nenhuma testemunha de jeova bate mais a minha porta. Eu sou bom pra debater a Biblia, sou bom pra contestar...sou catolico praticante e nunca puxei discução na rua com ninguem, não tento convecer ninguem e se alguns comentarios meus parecem palestras é por que eu sou meio megalomaniaco.

Portanto concordo com que todos disseram sobre respeito, e que quem é religioso talibã não consegue conviver com a diferença e tenta impor seus valoreses, e isso qualquer religião que seja, isso por que o ser humano tem dificuldade em acolher as diferenças sem julgar outrem.(no futuro cada um vai viver em seu proprio comodo individual, apenas o computador, o banheiro e uma cama, e ai a humanidade construirá a convivencia pacifica individualmente)

Agora sobre caso da professora o Jonnhy está certissimo: - " você se referiu às lendas como "um pouco da cultura brasileira". Na verdade, é cultura africana trazida para o Brasil. Os africanos foram e são tão importantes quanto qualquer outro povo que veio para o Brasil " -

Em tempos de "politicamente correto" então temos que ter livros sobre o folclore Italiano e Japonês e quem sabe um pouco do Armenio e do Turco, todos esses povos vieram pro Brasil e contribuiram pra misgenação e formação de
nossa(?) cultura e costumes, mas, não é a mesma coisa que ler por exemplo estorias do saci ou lendas da amozonia é o equivalente de ela ler historinhas do profeta maome ou historias de brahma pra crianças. Professores são figuras influentes, ainda, e se o professor fala:
"- essa fitinha so Sr. do Bonfim no teu pulso não é legal" o aluno tira(com certeza os pais tomaram conhecimento do assunto quando algum aluno contou aos pais a linda estorinha de exu que ela ouviu da professora).
E por mais que se diga não, todos nós quando conversamos ou discursamos tentamos passar nosso ponto de vista e valores aos outros mesmo que seja sub-conscientemente e como o futebol, religião não tem meio termo: ou você está errado ou eu estou certo. Quem é pai assim como eu, tem de esninar ACIMA de qualquer coisa o respito pelos outros em qualquer situação.

Anônimo,  30 de outubro de 2009 06:29  

"A questão é que a cultura africana está enraizada na cultura brasileira."
Concordo, Fernando. Assim como a italiana ou a japonesa, como disse o Zé da Fiel.
Não sou contra o que a professora fez. E acho muito importante a lei que obriga a ensinar nas escolas a história e outros aspectos da África (aliás, continente no qual minha mãe nasceu).
.
Eu milito nessa área e estou até planejando um mestrado em multiculturalismo. O que tenho birra é com a ideia que determinados grupos que moram aqui são "mais brasileiros" que outros. Sempre afirmei que o que o Brasil tem de melhor é a sua diversidade étnica e cultural. =]
.
Na verdade, é até complicado falar em "cultura brasileira" (como ambos falamos). Só acho que, se formos falar, não deveríamos 'hierarquizar' as influências.
.
Mas não estou discutindo, nem nada. Só fiz uma correçãozinha.
E parabéns pelo blog! Abração!!!!!!

Johnny Nikolaídis

Fernando 30 de outubro de 2009 07:44  

Zé e Johnny,

Vocês estão certos! Só justifiquei a minha confusão. :)

E obrigado pelos belíssimos comentários.

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